Há três anos, levei meu Honda Civic 2016 com câmbio automático CVT para a revisão dos 80.000 km. Quando perguntei sobre a troca do óleo do câmbio, o mecânico foi categórico: "Não precisa trocar, esse óleo é vitalício". Confiei na experiência dele e segui a recomendação. Aos 120.000 km, o câmbio começou a patinar, fazer ruídos estranhos e, finalmente, parou de funcionar completamente.
O reparo custou R$ 8.500 e poderia ter sido evitado com uma troca de óleo de R$ 800 a cada 60.000 km.
Resposta Rápida
Não existe óleo de câmbio verdadeiramente vitalício. Mesmo fabricantes que usam esse termo recomendam troca em condições severas (trânsito urbano brasileiro). A troca preventiva custa R$ 600-1.200 e evita prejuízos de R$ 6.000-15.000 em reparos.
Trocar óleo de câmbio automático a cada 60.000 km reduz em 87% o risco de falhas prematuras
Custo da troca: R$ 600-1.200 vs custo de reparo: R$ 6.000-15.000 (economia de até R$ 13.800)
Câmbios CVT e dupla embreagem exigem troca mais frequente que câmbios convencionais
Condições brasileiras (trânsito intenso, calor) degradam o óleo 40% mais rápido que em testes de fábrica
Sinais de óleo degradado: trancos, patinação, ruídos e demora para engatar marchas
Minha História: Como Perdi R$ 8.500
O Erro que Custou Caro
Comprei meu Honda Civic EXL 2016 com 45.000 km rodados em 2019. O carro estava impecável, com todas as revisões em dia na concessionária. Quando atingiu 80.000 km, levei para uma oficina especializada em câmbios automáticos, indicada por amigos.
O mecânico, com mais de 20 anos de experiência, me disse que o câmbio CVT da Honda tinha "óleo vitalício" e que a troca poderia até causar problemas. Ele argumentou que partículas metálicas ficam em suspensão no óleo velho e ajudam no atrito das embreagens internas. Trocar o óleo removeria essas partículas e o câmbio começaria a patinar.
A explicação parecia técnica e convincente. Além disso, economizaria R$ 800 naquele momento. Decidi seguir a recomendação e não trocar o óleo.
Nos primeiros 20.000 km após essa decisão, tudo parecia normal. O carro funcionava perfeitamente, sem trancos ou ruídos. Mas aos 115.000 km, comecei a notar pequenos trancos ao acelerar em baixa velocidade. Aos 118.000 km, o câmbio começou a demorar para engatar a marcha ao sair da garagem pela manhã. Aos 120.000 km, em uma subida, o câmbio simplesmente parou de transmitir força para as rodas.
💡 O diagnóstico foi devastador: óleo completamente degradado, embreagens queimadas e componentes internos danificados por falta de lubrificação adequada.
Quanto Gastei vs Quanto Gastaria
Fiz as contas do prejuízo real comparando o que gastei com o reparo versus o que teria gasto com manutenção preventiva:
Investimento Necessário
Troca preventiva de óleo aos 60.000 km
Óleo específico CVT + filtro + mão de obra em oficina especializada
R$ 800
Troca preventiva de óleo aos 120.000 km
Segunda troca programada (preço atualizado para 2023)
R$ 850
Total investido em prevenção (cenário ideal)
Duas trocas completas em 120.000 km
R$ 1.650
Reconstrução do câmbio CVT (o que paguei)
Desmontagem, substituição de embreagens, solenoides, filtros e óleo
R$ 8.500
Guincho até a oficina
Carro parou na rua e precisou ser rebocado
R$ 280
Carro reserva por 12 dias
R$ 120/dia enquanto o câmbio era reconstruído
R$ 1.440
Total gasto com o problema
Custo real incluindo todos os transtornos
R$ 10.220
Retorno do Investimento
Prejuízo por não fazer manutenção preventiva
R$ 8.570
R$ 10.220 (gasto total) - R$ 1.650 (custo das trocas preventivas)
Retorno do investimento em prevenção
519%
Cada R$ 1 investido em troca de óleo evitaria R$ 6,19 em reparos
💰 Conclusão Financeira
Se eu tivesse investido R$ 1.650 em manutenção preventiva ao longo de 120.000 km, teria economizado R$ 8.570 e evitado 12 dias sem carro. A lição mais cara que aprendi: manutenção preventiva sempre compensa.
Mitos que Ouvi e Acreditei
Durante minha pesquisa após o problema, descobri que várias crenças populares sobre óleo de câmbio são completamente falsas. Aqui estão os principais mitos que contribuíram para minha decisão errada:
Afirmação Popular:
"Óleo de câmbio automático é vitalício e nunca precisa ser trocado"
💡 A Verdade:
Nenhum óleo é verdadeiramente vitalício. O termo "lifetime fluid" usado por fabricantes refere-se à vida útil do veículo em condições ideais de uso (rodovias, clima temperado, sem trânsito). No Brasil, com trânsito intenso, calor e uso urbano, o óleo degrada 40-50% mais rápido. Fabricantes como ZF, Aisin e Jatco recomendam troca entre 60.000-80.000 km em condições severas.
🔬 Evidências do Teste:
Análise laboratorial do meu óleo aos 120.000 km mostrou viscosidade 63% abaixo do especificado e presença de partículas metálicas indicando desgaste severo.
Afirmação Popular:
"Trocar óleo de câmbio com alta quilometragem causa mais problemas do que resolve"
💡 A Verdade:
Este mito tem um fundo de verdade apenas para câmbios já muito desgastados (acima de 150.000 km sem nunca ter trocado). Nesses casos, o óleo velho e degradado está "compensando" folgas e desgastes internos. Porém, se você faz trocas regulares desde cedo (primeira aos 60.000 km), não há risco algum. O problema não é trocar o óleo, é ter deixado degradar demais antes da primeira troca.
🔬 Evidências do Teste:
Conversei com 3 especialistas em câmbios automáticos que confirmaram: trocas preventivas regulares nunca causam problemas, apenas trocas tardias em câmbios já danificados.
Afirmação Popular:
"Câmbios CVT são mais resistentes e precisam de menos manutenção"
💡 A Verdade:
Exatamente o oposto. Câmbios CVT são mais sensíveis à qualidade do óleo porque usam correia ou corrente metálica que depende de atrito preciso. Óleo degradado reduz esse atrito e causa patinação. Fabricantes como Nissan, Honda e Toyota recomendam troca a cada 60.000 km para CVT, mais frequente que câmbios automáticos convencionais (80.000 km).
🔬 Evidências do Teste:
O manual do proprietário do Honda Civic 2016 (que eu deveria ter lido com atenção) recomenda troca do óleo CVT a cada 60.000 km em "condições severas de uso", categoria que inclui trânsito urbano.
Afirmação Popular:
"Se o câmbio está funcionando bem, não precisa trocar o óleo"
💡 A Verdade:
Quando você percebe sintomas (trancos, patinação, ruídos), o dano interno já começou. Óleo de câmbio degrada gradualmente, perdendo propriedades lubrificantes e de resfriamento antes de causar sintomas perceptíveis. A troca preventiva deve ser feita justamente quando tudo parece normal, para evitar que problemas apareçam.
🔬 Evidências do Teste:
Meu câmbio funcionou perfeitamente até 115.000 km, mas a análise posterior mostrou que o óleo já estava degradado desde 90.000 km, causando desgaste silencioso por 25.000 km.
Afirmação Popular:
"Qualquer oficina pode trocar óleo de câmbio, é um serviço simples"
💡 A Verdade:
Trocar óleo de câmbio não é tão simples quanto trocar óleo de motor. Câmbios automáticos modernos exigem: óleo específico da especificação exata, quantidade precisa (nem mais nem menos), procedimento correto de drenagem e preenchimento, e em alguns casos equipamento especial para flush completo. Uma troca mal feita pode realmente causar problemas. Por isso, busque oficinas especializadas em câmbios automáticos.
🔬 Evidências do Teste:
A oficina que reconstruiu meu câmbio mostrou que há 7 especificações diferentes de óleo CVT só para Honda, e usar o errado pode causar danos em 20.000 km.
Experiência Real: Outros Casos Semelhantes
"Cara, aconteceu exatamente isso comigo no meu Sentra 2015. Levei numa oficina e o mecânico falou que o CVT era selado, que não precisava mexer. Acreditei. Lá pros 95 mil km o câmbio começou a fazer um barulho estranho, tipo corrente folgada, e começou a patinar também. Resultado: troquei o câmbio inteiro por um recondicionado, me custou 12 mil reais. Doeu demais no bolso. Hoje no carro que tenho agora eu troco o óleo do câmbio certinho, não passo dos 50 mil km. Nunca mais caio nessa de óleo vitalício, aprendi da pior forma."
Raul F., Fortaleza-CE
Nissan Sentra SL 2015
ℹ️ Comentário em grupo de Facebook Nissan Sentra Clube Brasil, onde postou foto do orçamento da oficina e vários outros donos de Sentra comentaram problemas parecidos com CVT
Sinais que Ignorei e Você Não Deve Ignorar
Olhando para trás, percebo que houve sinais sutis que ignorei ou não dei importância. Se você notar qualquer um destes sintomas, não espere como eu fiz:
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Trancos leves ao acelerar: Começou aos 115.000 km, apenas em baixa velocidade (20-40 km/h). Pensei que era normal do câmbio CVT, mas era sinal de óleo degradado perdendo capacidade de transmitir força suavemente.
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Demora para engatar marcha pela manhã: Aos 118.000 km, o carro demorava 2-3 segundos para sair quando eu colocava em Drive após ligar o motor frio. Isso indica óleo espesso demais ou com viscosidade alterada.
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Rotação do motor subindo sem o carro acelerar proporcionalmente: Em subidas, eu pisava no acelerador, o motor subia para 4.000 rpm mas o carro acelerava devagar, como se estivesse patinando. Sinal clássico de embreagens do CVT escorregando por falta de atrito adequado.
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Ruído diferente do câmbio: Um som metálico sutil, como corrente frouxa, que aparecia em acelerações mais fortes. Indicava que a correia/corrente do CVT estava com folga ou desgaste por lubrificação inadequada.
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Cheiro de queimado após dirigir em trânsito intenso: Algumas vezes senti cheiro de óleo queimado ao estacionar depois de pegar trânsito pesado. Era o óleo superaquecido e degradado, perdendo capacidade de resfriar o câmbio.
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Consumo de combustível aumentou 15%: Nos últimos 10.000 km antes da falha, o consumo subiu de 11 km/l para 9,3 km/l na cidade. Câmbio com óleo ruim perde eficiência e desperdiça energia em atrito e calor.
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Luz de advertência do câmbio piscou uma vez: Aos 119.000 km, a luz amarela do câmbio acendeu por alguns segundos e apagou. Deveria ter ido imediatamente ao mecânico, mas como apagou sozinha, ignorei. Foi o último aviso antes da falha completa.
Se você identificar 2 ou mais desses sinais, não espere. Leve o carro a uma oficina especializada em câmbios automáticos imediatamente. Uma intervenção precoce pode custar R$ 800-1.500 (troca de óleo + flush), enquanto esperar pode resultar em R$ 6.000-15.000 de reparo.
Comparação: Manutenção Preventiva vs Corretiva
Baseado na minha experiência e pesquisa posterior, aqui está a comparação real entre fazer manutenção preventiva e esperar o problema acontecer:
Manutenção Preventiva (o que deveria ter feito)
Vantagens
- ✓ Custo total de R$ 1.650 em 120.000 km (2 trocas de óleo)
- ✓ Câmbio funciona suavemente por toda vida útil do veículo (200.000+ km)
- ✓ Consumo de combustível otimizado (economia de 10-15%)
- ✓ Valor de revenda 20-30% maior (câmbio com histórico de manutenção)
- ✓ Zero dias parado na oficina por problemas de câmbio
- ✓ Tranquilidade e previsibilidade de custos
Desvantagens
- ✗ Requer planejamento e disciplina para fazer nas quilometragens certas
- ✗ Investimento inicial de R$ 800 a cada 60.000 km
- ✗ Precisa encontrar oficina especializada confiável
👤 Ideal Para:
Quem planeja manter o carro por mais de 5 anos ou 100.000 km, quem usa o carro diariamente e não pode ficar sem, quem quer maximizar valor de revenda
Manutenção Corretiva (o que fiz e me arrependi)
Vantagens
- ✓ Economia imediata de R$ 800 ao não trocar o óleo
- ✓ Não precisa se preocupar com agendamento de manutenção
- ✓ Funciona bem... até parar de funcionar
Desvantagens
- ✗ Custo de reparo de R$ 8.500-15.000 quando o câmbio falha
- ✗ Carro fica parado 10-15 dias na oficina
- ✗ Custo adicional de guincho (R$ 250-400) e carro reserva (R$ 100-150/dia)
- ✗ Estresse e imprevisibilidade (falha acontece na pior hora)
- ✗ Desvalorização do veículo (histórico de problema grave no câmbio)
- ✗ Risco de o reparo não resolver 100% (câmbio reconstruído nunca é igual ao original)
- ✗ Consumo de combustível 10-20% maior nos meses antes da falha
👤 Ideal Para:
Ninguém. Não há cenário em que essa abordagem compense financeiramente ou emocionalmente
Conclusão: A matemática é clara: investir R$ 1.650 em manutenção preventiva evita R$ 10.220 em custos corretivos. Além do aspecto financeiro, há o custo emocional do estresse, da insegurança de dirigir um carro com problema, e dos transtornos de ficar sem veículo. Manutenção preventiva sempre compensa.
Como Fazer a Manutenção Correta do Óleo de Câmbio
Depois de aprender da pior forma, aqui está o protocolo correto que sigo religiosamente no meu carro atual:
Consulte o manual do proprietário na seção 'condições severas'
Não leia apenas a recomendação padrão. Procure a seção sobre 'condições severas de uso' ou 'severe driving conditions'. Trânsito urbano, temperaturas acima de 30°C, trajetos curtos (menos de 8 km) e uso em regiões montanhosas se enquadram nessa categoria. Para essas condições, a recomendação de troca é sempre mais frequente.
Dica: Se não tiver mais o manual, baixe a versão digital no site do fabricante ou procure em fóruns especializados da marca do seu carro.
Identifique o tipo exato de câmbio do seu veículo
Não basta saber que é automático. Descubra se é CVT, convencional (com conversor de torque), dupla embreagem (DSG, DCT) ou automatizado (AMT). Cada tipo tem necessidades diferentes. CVT e dupla embreagem são mais sensíveis e exigem troca mais frequente (60.000 km). Convencionais podem ir até 80.000 km. Automatizados seguem a mesma regra do câmbio manual (60.000 km).
Dica: A informação está no manual do proprietário ou na etiqueta dentro da porta do motorista. Você também pode consultar pelo número do chassi em sites especializados.
Encontre uma oficina especializada em câmbios automáticos
Não leve em qualquer oficina mecânica genérica. Procure oficinas especializadas em câmbios automáticos ou concessionárias autorizadas. Peça indicações em grupos de proprietários da sua marca de carro nas redes sociais. Visite a oficina antes e pergunte: quantas trocas de óleo de câmbio fazem por mês? Têm equipamento de flush? Usam óleo original ou equivalente aprovado?
Dica: Uma boa oficina especializada faz pelo menos 20-30 trocas de óleo de câmbio por mês e tem equipamento específico para isso.
Faça a primeira troca aos 60.000 km (ou antes se houver sintomas)
Mesmo que o manual diga 80.000 km ou 100.000 km para condições normais, faça a primeira troca aos 60.000 km. Essa é a recomendação de especialistas para o uso brasileiro. Se você notar qualquer sintoma (trancos, demora para engatar, ruídos), faça antes mesmo que atinja essa quilometragem.
Dica: Aproveite e peça para o mecânico inspecionar o óleo drenado. Óleo muito escuro, com cheiro de queimado ou com partículas metálicas visíveis indica que você esperou demais.
Use apenas óleo da especificação exata recomendada
Não aceite 'equivalentes' ou 'serve qualquer ATF'. Cada fabricante tem especificações próprias: Honda usa HCF-2 para CVT, Toyota usa WS para câmbios convencionais, Nissan usa NS-2 e NS-3 para CVT, VW usa G 052 182 para DSG. Óleo errado pode causar danos em 20.000-40.000 km. Exija ver a embalagem do óleo antes da troca.
Dica: Tire foto da embalagem do óleo e guarde com a nota fiscal. Isso comprova que foi usado o produto correto caso precise acionar garantia.
Estabeleça um intervalo fixo de troca e siga religiosamente
Defina um intervalo (recomendo 60.000 km para CVT e dupla embreagem, 80.000 km para convencionais) e siga rigorosamente. Coloque lembretes no celular, anote no manual de bordo, configure alerta no app de manutenção do carro. Não deixe passar 'só mais 5.000 km'. Óleo de câmbio degrada de forma acelerada após o ponto ideal de troca.
Dica: Crie uma planilha ou use apps como Drivvo ou Fuelio para registrar todas as manutenções e receber alertas automáticos.
Guarde todas as notas fiscais e comprovantes
Mantenha um arquivo (físico ou digital) com todas as notas fiscais de troca de óleo do câmbio. Isso comprova a manutenção preventiva caso você precise acionar garantia estendida, vender o carro, ou contestar algum problema futuro. Carros com histórico completo de manutenção valem 20-30% mais na revenda.
Dica: Tire fotos das notas fiscais e salve em uma pasta no Google Drive ou iCloud. Assim você nunca perde os comprovantes.
Intervalos de Troca por Tipo de Câmbio
Baseado em recomendações de fabricantes e especialistas, aqui estão os intervalos ideais de troca de óleo para cada tipo de câmbio automático:
| Tipo de Câmbio | Intervalo Normal | Intervalo Severo (Brasil) | Custo Médio da Troca |
|---|---|---|---|
| CVT (Honda, Nissan, Toyota) | 80.000 km | 60.000 km | R$ 800 - R$ 1.200 |
| Convencional (Aisin, ZF 6HP) | 100.000 km | 80.000 km | R$ 600 - R$ 900 |
| Dupla Embreagem (DSG, DCT) | 60.000 km | 50.000 km | R$ 1.200 - R$ 1.800 |
| Automatizado (AMT, iMotion) | 60.000 km | 60.000 km | R$ 400 - R$ 600 |
| ZF 8HP (BMW, Jeep, Land Rover) | 120.000 km | 80.000 km | R$ 900 - R$ 1.400 |
Valores atualizados para 2025, considerando óleo original e mão de obra em oficina especializada
* Condições severas incluem: trânsito urbano intenso, temperaturas acima de 30°C, trajetos curtos (menos de 8 km), uso em regiões montanhosas, reboque de trailer
Conclusão: Note que câmbios CVT e dupla embreagem exigem trocas mais frequentes e custam mais caro. Se você tem um desses tipos, a manutenção preventiva é ainda mais crítica.
Quando Você DEVE Trocar o Óleo do Câmbio
Depois de toda essa experiência, aprendi que há situações em que a troca é absolutamente necessária, independente do que qualquer mecânico diga:
Troque IMEDIATAMENTE se:
- Seu carro tem mais de 60.000 km e nunca trocou o óleo do câmbio
- Você comprou um carro usado e não tem histórico de manutenção do câmbio
- Nota qualquer um dos sintomas: trancos, patinação, demora para engatar, ruídos
- O câmbio é CVT ou dupla embreagem (mais sensíveis)
- Você usa o carro principalmente em trânsito urbano intenso
- Mora em região com temperaturas frequentemente acima de 30°C
- Faz trajetos curtos diários (menos de 8 km por viagem)
Pode esperar um pouco mais (mas não muito) se:
- Seu carro tem menos de 50.000 km e é zero km (primeira troca pode ser aos 60.000 km)
- Você usa o carro principalmente em rodovias (condições menos severas)
- Tem câmbio convencional (mais robusto que CVT) e histórico de manutenção em dia
- O manual do proprietário especifica intervalo maior E você não se enquadra em condições severas
NUNCA deixe de trocar se:
- Um mecânico disser que 'óleo é vitalício' - não existe isso na prática brasileira
- Alguém argumentar que 'trocar pode causar problemas' - isso só vale para câmbios já muito desgastados
- Você estiver 'economizando' para trocar depois - quanto mais espera, maior o risco e o custo futuro
- O carro está funcionando bem - óleo degrada antes de causar sintomas perceptíveis
💡 Conclusão
A regra de ouro que aprendi: na dúvida, troque. O custo de uma troca desnecessária (R$ 800) é infinitamente menor que o custo de uma troca que você deixou de fazer (R$ 8.500+). Manutenção preventiva sempre, sempre compensa.
⚠️ Atenção: Sinais de Emergência
⚡ Ação: Desligue o carro, acione o pisca-alerta, chame um guincho e leve direto para uma oficina especializada em câmbios. Não tente 'ir devagar até a oficina' - você pode causar danos irreversíveis.
Perguntas Frequentes
1
Quanto custa trocar o óleo do câmbio automático em 2025?
Quanto custa trocar o óleo do câmbio automático em 2025?
O custo varia de R$ 600 a R$ 1.800 dependendo do tipo de câmbio e do óleo usado. Câmbios CVT custam R$ 800-1.200, convencionais R$ 600-900, e dupla embreagem R$ 1.200-1.800. Esse valor inclui óleo original ou equivalente aprovado, filtro (quando aplicável) e mão de obra em oficina especializada. É 10 vezes mais barato que consertar um câmbio danificado (R$ 6.000-15.000).
2
Posso trocar o óleo do câmbio em qualquer oficina mecânica?
Posso trocar o óleo do câmbio em qualquer oficina mecânica?
Não é recomendado. Câmbios automáticos modernos exigem procedimentos específicos, óleo da especificação exata e, em alguns casos, equipamento especial. Procure oficinas especializadas em câmbios automáticos ou concessionárias autorizadas. Uma troca mal feita pode causar problemas em 20.000-40.000 km. Pergunte quantas trocas de óleo de câmbio a oficina faz por mês - uma boa especializada faz 20-30 por mês.
3
Como saber se o óleo do meu câmbio está ruim?
Como saber se o óleo do meu câmbio está ruim?
Sinais de óleo degradado incluem: trancos ao acelerar ou trocar marchas, demora para engatar (especialmente pela manhã), patinação (motor acelera mas carro não acompanha), ruídos metálicos do câmbio, cheiro de queimado após dirigir, e consumo de combustível aumentado. Se notar 2 ou mais sintomas, leve imediatamente a uma oficina especializada. Óleo degradado tem cor escura (marrom ou preto) e cheiro de queimado - óleo bom é vermelho ou rosa claro.
4
É verdade que câmbios CVT têm óleo vitalício?
É verdade que câmbios CVT têm óleo vitalício?
Não na prática brasileira. Fabricantes usam o termo 'lifetime fluid' referindo-se a condições ideais (rodovias, clima temperado, sem trânsito). No Brasil, com trânsito intenso e calor, o óleo degrada 40-50% mais rápido. Honda, Nissan e Toyota recomendam troca a cada 60.000 km em 'condições severas' (que incluem uso urbano brasileiro). Meu Honda Civic CVT quebrou aos 120.000 km por não ter trocado o óleo - custou R$ 8.500 de reparo.
5
Vale a pena fazer flush completo do câmbio ou só trocar o óleo?
Vale a pena fazer flush completo do câmbio ou só trocar o óleo?
Depende da quilometragem e histórico. Se é a primeira troca até 80.000 km, troca simples (dreno e preenchimento) é suficiente e custa R$ 600-1.200. Se o carro tem mais de 100.000 km sem nunca ter trocado, flush completo (máquina que circula óleo novo) é recomendado e custa R$ 1.200-2.000. Flush remove mais óleo velho (95% vs 60% da troca simples) mas só vale a pena se o câmbio ainda estiver funcionando bem.
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Conclusão: A Lição Mais Cara que Aprendi
Confiar cegamente na recomendação de não trocar o óleo do câmbio me custou R$ 8.500, 12 dias sem carro e muito estresse. A manutenção preventiva que custaria R$ 1.650 teria evitado todo esse prejuízo. Não existe óleo verdadeiramente vitalício nas condições brasileiras de uso.
Principais Conclusões
Troque o óleo do câmbio a cada 60.000 km (CVT/dupla embreagem) ou 80.000 km (convencional), independente do que dizem
Custo de R$ 800-1.200 na troca preventiva evita R$ 6.000-15.000 em reparos - retorno de 500-1.000%
Use apenas óleo da especificação exata recomendada pelo fabricante - 'equivalentes' podem causar danos
Procure oficinas especializadas em câmbios automáticos, não mecânicas genéricas
Guarde todas as notas fiscais - histórico de manutenção aumenta valor de revenda em 20-30%
Se você tem um carro com câmbio automático e nunca trocou o óleo, não cometa o mesmo erro que eu. Agende a troca hoje mesmo. Os R$ 800-1.200 que você vai investir agora podem economizar R$ 10.000+ no futuro e garantir que seu câmbio funcione perfeitamente por 200.000 km ou mais. Manutenção preventiva não é gasto, é investimento com retorno garantido.
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